Denílson conta porque gosta mais do Palmeiras do que do São Paulo

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Em entrevista ao Blog Boleiro, Denílson fala do amor entre tricolores e palmeirenses.

“Eu estou aqui nesta mesa. Se tiver uma mesa do lado esquerdo cheia de são paulinos e, do lado direito, tiver uma mesa de palmeirenses, eu serei mais bem recebido pela direita”. Sentado do lado de fora de uma lanchonete na sede da TV Bandeirantes, o ex-jogador  e atual comentarista esportivo explica que até hoje é tratado como traidor por torcedores do São Paulo. E recebe tratamento de ídolo pelos fãs do Palmeiras.

Esta história começa em 2007.

Denílson tinha retornado ao Brasil depois de jogar uma temporada no Al Nassr, de Riad (Arábia Saudita). Como fez nas férias do Real Betis e do Bordeaux, em anos anteriores, Denílson procurou o Reffis do Centro de Treinamento do São Paulo, para trabalhar fisicamente. “Fui jogador do São Paulo. Fui formado lá. Sempre aproveitava as férias para manter a forma com o pessoal de lá.”, contou.

Desta vez, apareceu um problema. O atacante já tinha se exercitado durante dois dias quando um dos fisioterapeutas, Ricardo Sasaki,  chegou, meio constrangido, e informou que Denílson precisava falar com alguém da direção sobre este “estágio”.

“Eu perguntei ao Sasaki com quem deveria falar. Ele me disse que era para procurar o João Paulo de Jesus Lopes. Ele me atendeu, disse que eu tinha uma história no clube, que era ídolo, mas que infelizmente eu não poderia treinar lá”, disse Denílson.

Chateado, Denílson ficou dois dias parado. Desta vez, ele não estava empregado e de férias. Depois do Al Nassr, ele teria que arrumar um novo clube. Chegou a ouvir do técnico Muricy Ramalho uma brincadeira: “E aí? Desta vez você fica com a gente?”, perguntou o treinador que, em 1994, subiu para o profissional o jovem talento de 16 anos.

“Na verdade, eu não fui treinar lá com o objetivo de conseguir atrair o interesse do São Paulo. Muita gente disse isso na época, mas eu estava mesmo querendo me manter em forma”, garantiu

Numa conversa com o advogado e amigo Breno Tanuri, o jogador que, em 1998, foi vendido pelo São Paulo ao Bétis por US$ 32 milhões, contou o ocorrido e lamentou o que achou ser um descaso com ele.

“O Breno me perguntou se poderia conversar com o Toninho Cecílio, na época no Palmeiras. Eu ainda perguntei se não iria pegar mal com o São Paulo. E ele ainda me falou:

‘Com o São Paulo que acabou de fechar as portas para você?’. Eu até ri da ironia. Mas falei para ele tentar lá no Palmeiras”, contou.

No dia seguinte, Tanuri telefonou de volta para Debnilson e disse para ele ir à Academia de Futebol porque estava tudo acertado.

“Eu cheguei lá e foi realeza. Do porteiro da Academia ao roupeiro, todo mundo me tratou com carinho e respeito. O Toninho me levou ao vestiário, me mostrou um armário. ‘Este é o seu’, me falou. Aí treinei lá no Palmeiras”, falou.

Três semanas depois, na saída do centro de treinamento palmeirense, Denílson foi abordado por um empresário.

“Ele me esperou do lado de fora e me mostrou uma proposta para ir jogar no Dallas. Era sério. Marquei uma reunião para o dia seguinte. E fui jogar no time do Texas”, lembrou.

Denílson jogou oito partidas na temporada 2007/2008 da MSL. Fez apenas um gol pelo Dallas. Aí retornou ao Brasil.

Desta vez, ele nem passou pelo São Paulo. Foi direto à Academia do Palmeiras para manter a forma. Chegou a participar de coletivos com os jogadores da base. O técnico Vanderlei Luxemburgo decidiu ter uma conversa séria.

“Ele chegou em mim e perguntou se eu queria continuar jogando bola. Eu disse que sim. Ele perguntou de novo se eu estava a fim de continuar a ser jogador. Eu respondi que sim. Aí, ele me propôs um contrato de produtividade. Eu ganharia mais se jogasse mais. Eu topei e joguei no Palmeiras”, afirmou.

Em 2008, Denílson foi campeão paulista pelo Palmeiras. Jogou 55 partidas. Marcou sete tentos. Virou ídolo do vizinho de CT do São Paulo.

“Aconteceu então uma coisa estranha. Eu passei a ser chamado de traíra e traidor pelos são paulinos que encontrava na rua ou nos restaurantes. Já os palmeirenses me tratam como ídolo”, constatou.

No ano seguinte, Denílson foi jogar no Ibumbiara (GO). Lá sofreu lesão no joelho. O atacante teve que bancar a cirurgia e o tratamento de recuperação. Aí, a dor da artrose já incomodava. Foram mais dois anos atuando na China e na Grécia antes do encerramento precoce da carreira em 2010.

O assistente técnico do São Paulo, Milton Cruz, ainda tentou fazer uma reconciliação de Denílson com o clube. Armou um encontro entre o ex-jogador e o ex-dirigente que o barrou em 2007.

“O João Paulo de Jesus Lopes me disse então que não se tratava de uma decisão dele, mas sim de outras pessoas e que ele era apenas o responsável por me comunicar esta restrição”, disse.

Esta conversa mudou alguma coisa?

“Hoje eu sei que não foi a instituição São Paulo que me fechou as portas. Mesmo assim, reconheço a importância do que o clube fez por mim no início da minha carreira. Mas posso falar? Não é mais aquela paixão. Hoje, gostou mais do Palmeiras que me tratou e me trata muito bem”, afirmou.

Hoje, aos 37 anos, Denílson é comentarista da TV Bandeirantes. Ele recusou, nesta semana, um convite para atuar na nova liga de futebol da Índia.

Nesta sexta-feira, ainda na lanchonete da emissora, ele cruzou com um guitarrista de blues chamado Nicolas Simi, que faz parte da banda da cantora Dani Montuori (ex-The Voice). Ao ver Denílson, o músico não se conteve: “Vem aqui meu ídolo. Você fez muito pelo meu Palmeiras”, disse.

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